O Tribunal Superior Eleitoral reuniu nesta terça-feira (14) representantes de 19 institutos de pesquisa para discutir os critérios adotados na realização e na divulgação de levantamentos eleitorais durante a campanha de 2026.
O encontro foi marcado para a sede da Corte, em Brasília, e teve como objetivo buscar parâmetros mais claros sobre metodologia, formulação de perguntas e transparência das informações apresentadas à Justiça Eleitoral.
Entre os participantes estavam Datafolha, AtlasIntel, Ipsos-Ipec, Quaest, Ipespe, Nexus, PoderData, Paraná Pesquisas e outras empresas que atuam na produção de levantamentos de opinião pública.
Uso de áudios e vídeos está entre os temas discutidos
Um dos principais pontos do encontro é a utilização de áudios, vídeos e outros conteúdos durante as entrevistas realizadas pelos institutos.
A discussão envolve a possibilidade de esse tipo de material interferir nas respostas dos entrevistados, especialmente quando apresenta informações positivas ou negativas sobre candidatos antes que a intenção de voto seja registrada.
Também entram no debate a forma como as perguntas são apresentadas e o nível de detalhamento que os institutos devem fornecer sobre seus procedimentos metodológicos.
Suspensão de pesquisa motivou o encontro
A reunião acontece após o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, suspender a divulgação de uma pesquisa da AtlasIntel que avaliava o desempenho do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro.
O ministro apontou a possibilidade de contaminação das respostas porque parte dos entrevistados teve acesso a um áudio relacionado ao senador e ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
A AtlasIntel afirma que o material foi apresentado somente no final da entrevista, depois que as respostas sobre intenção de voto já haviam sido registradas. Segundo o instituto, os participantes não podiam retornar às perguntas anteriores para alterar suas escolhas.
Procuradoria foi contra a suspensão
A Procuradoria-Geral Eleitoral se manifestou contra a suspensão do levantamento.
Para o órgão, a interferência da Justiça Eleitoral na divulgação de pesquisas deve ocorrer apenas em situações excepcionais, quando houver uma demonstração objetiva de falta de imparcialidade ou descumprimento das regras.
O julgamento do caso foi interrompido após um pedido de vista da ministra Estela Aranha. A expectativa informada por integrantes da Corte é que a análise seja retomada depois do recesso do Judiciário, possivelmente em agosto.
Decisão pode influenciar a campanha
A análise do TSE poderá servir de referência para outros tribunais eleitorais durante a campanha de 2026.
A decisão deverá ajudar a definir até que ponto institutos podem apresentar informações adicionais aos entrevistados e quais procedimentos precisam ser detalhados no registro das pesquisas.
Até o fechamento desta matéria, não havia sido divulgada uma nova resolução ou uma mudança formal nas regras em vigor. O encontro foi organizado para discutir parâmetros antes da retomada do julgamento sobre a pesquisa suspensa.
Fonte principal: CNN Brasil.