Um imóvel no Cosme Velho, na Zona Sul do Rio de Janeiro, poderá ser incorporado ao patrimônio do Estado para preservar um espaço relacionado à história de Machado de Assis.
O Projeto de Lei 8.236/2026, apresentado na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), propõe a desapropriação do imóvel localizado na Rua Cosme Velho, 218, onde fica a capela em que o escritor se casou com Carolina Augusta Xavier de Novais, em 1869.
A proposta é de autoria da deputada estadual Dani Balbi (PCdoB) e ainda precisa ser analisada pelo plenário da Assembleia.
Moradores demonstram preocupação com possível empreendimento
A iniciativa surgiu após moradores e defensores do patrimônio histórico demonstrarem preocupação com a possibilidade de construção de um empreendimento imobiliário no terreno.
Representantes de uma incorporadora teriam realizado vistorias na área, o que motivou a mobilização da comunidade.
Também foram encaminhados ofícios ao Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac), ao Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) e ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para que acompanhem a situação.
Imóvel possui capela e área de vegetação
Além da capela associada ao casamento de Machado de Assis, o terreno possui uma área de vegetação preservada, incluindo palmeiras imperiais.
Pelo projeto, a incorporação do imóvel pelo Estado teria como finalidade a preservação e valorização do patrimônio histórico-literário fluminense.
A proposta determina ainda a manutenção da capela como parte das ações de preservação.
Projeto prevê possível espaço cultural público
O texto também abre a possibilidade de criação de um equipamento cultural público no local.
Entre as possíveis finalidades estão atividades relacionadas à:
- memória literária;
- leitura;
- educação;
- preservação histórica.
O projeto não estabelece que o imóvel seja destinado a uma instituição específica. A definição sobre sua utilização caberia ao Poder Público, com participação da sociedade civil.
Preservação da memória literária entra no debate
A proposta de desapropriação está relacionada a outro projeto apresentado pela mesma deputada, o PL 7.772/2026, que pretende instituir uma política estadual de preservação, valorização e difusão do patrimônio histórico-literário do Rio de Janeiro.
A discussão amplia o debate sobre como espaços associados a personagens e acontecimentos importantes da história brasileira devem ser preservados.
No caso do imóvel do Cosme Velho, o projeto busca manter acessível um local diretamente relacionado à trajetória de um dos principais nomes da literatura brasileira.
Proposta ainda será votada pela Alerj
A desapropriação ainda não foi aprovada.
O projeto precisa passar por votação no plenário da Alerj e seguir as demais etapas previstas no processo legislativo antes de uma eventual transformação em lei.
Até lá, o futuro do imóvel continuará sendo acompanhado pelos órgãos de patrimônio e pelos grupos envolvidos na preservação do local.
Fontes: agendadopoder.com.br