A Polícia Federal (PF) arquivou nesta quarta-feira (7) a investigação preliminar sobre uma possível interferência do governo de Donald Trump nas eleições brasileiras. A apuração começou após uma representação apresentada pela Advocacia-Geral da União (AGU), comandada pelo ministro Jorge Messias.
Segundo informações obtidas pela reportagem, a PF concluiu que não havia indícios mínimos de ilícitos capazes de demonstrar uma interferência do governo dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, havia anunciado a abertura da apuração no domingo do primeiro turno. Na ocasião, informou que o procedimento estava em fase inicial e seria conduzido pela Diretoria de Inteligência.
AGU pediu investigação após reportagem internacional
A representação da AGU foi apresentada após uma reportagem publicada pelo jornal britânico The Guardian em 1º de outubro.
Segundo a publicação, o governo Trump teria destinado recursos para organizações da sociedade civil que faziam críticas ao Supremo Tribunal Federal e denunciavam supostos abusos de poder judicial e censura.
A reportagem mencionou cerca de R$ 5,2 milhões destinados ao Brasil por meio do projeto denominado “Combate à Litigância Deliberativa e à Censura no Brasil”.
Não havia, porém, confirmação de que os recursos tivessem sido efetivamente enviados. Também não estavam esclarecidos os valores eventualmente repassados ou os possíveis destinatários.
Ao solicitar a investigação, Jorge Messias afirmou que a eventual comprovação de recursos estrangeiros destinados a ataques contra instituições brasileiras poderia indicar uma estrutura de ingerência externa em assuntos internos.
A AGU informou que não comentaria o arquivamento da apuração.
Investigação gerou preocupação durante a campanha
A abertura do procedimento provocou preocupação entre aliados de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência.
A avaliação dentro da campanha era de que o avanço da investigação poderia eventualmente resultar em medidas contra o candidato ou integrantes de sua equipe antes do segundo turno.
O receio também estava relacionado ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. O PT apresentou ao STF um pedido de investigação sobre o mesmo assunto e encaminhou a solicitação diretamente ao ministro.
Dino também conduzia outra investigação relacionada a recursos destinados ao filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.
Segundo as informações apresentadas na reportagem, o projeto recebeu R$ 61 milhões do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
PGR já havia rejeitado pedido semelhante
A discussão sobre uma possível interferência estrangeira já havia chegado à Procuradoria-Geral da República.
Em julho, o deputado federal Rui Falcão (PT-SP) pediu uma investigação após informações relacionadas ao mesmo edital do Departamento de Estado dos Estados Unidos.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, analisou o pedido e concluiu que não havia elementos mínimos que comprovassem uma interferência americana capaz de justificar a abertura de um procedimento preliminar com base apenas em uma reportagem.
Apuração termina sem comprovação de interferência
Com o arquivamento pela Polícia Federal, a investigação aberta após a representação da AGU foi encerrada sem identificação de elementos que sustentassem a suspeita de interferência do governo dos Estados Unidos nas eleições brasileiras.
A decisão encerra a apuração preliminar conduzida pela PF sobre o episódio.