Rio cria política contra golpe do falso advogado e fraudes em processos digitais

Lei sancionada pela Alerj prevê campanhas de orientação, mecanismos de verificação e cooperação entre órgãos públicos, OAB-RJ e instituições financeiras.

O Estado do Rio de Janeiro passou a contar com uma política específica para prevenir e combater o golpe do falso advogado e outras fraudes eletrônicas relacionadas a processos judiciais. A medida está prevista na Lei 11.334/26, aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), sancionada pelo Poder Executivo e publicada no Diário Oficial desta quarta-feira (7).

A nova legislação cria a Política Estadual de Prevenção e Combate a Fraudes Processuais Eletrônicas e ao “Golpe do Falso Advogado”. O objetivo é proteger cidadãos, advogados regularmente inscritos na OAB-RJ e instituições públicas estaduais contra fraudes praticadas por meios digitais.

Como funciona o golpe

Segundo a presidente da OAB-RJ, Ana Tereza Basílio, criminosos conseguem acessar informações sobre processos judiciais, muitas vezes disponíveis em plataformas digitais. Com esses dados, acompanham a tramitação e entram em contato com as vítimas se passando por advogados ou integrantes de escritórios.

Os golpistas costumam solicitar pagamentos, geralmente por Pix, sob a alegação de que o dinheiro seria necessário para liberar uma sentença, recurso ou valor que a vítima teria direito a receber.

A OAB-RJ criou um canal de denúncias em janeiro de 2025 e, desde então, recebeu mais de 3 mil relatos relacionados ao golpe.

Idosos estão entre os principais alvos

A presidente da OAB-RJ afirmou que os criminosos procuram principalmente pessoas consideradas mais vulneráveis, como idosos e cidadãos que não conhecem os procedimentos jurídicos.

Os golpistas utilizam informações reais dos processos para tornar a abordagem mais convincente. Em alguns casos, segundo a entidade, também podem utilizar inteligência artificial para reproduzir a voz do advogado.

A combinação de informações verdadeiras sobre o processo com falsas solicitações de pagamento pode dificultar a identificação da fraude pelas vítimas.

Lei prevê campanhas de orientação

Entre as medidas previstas pela nova política estão campanhas educativas permanentes para orientar a população sobre como identificar contatos falsos, reconhecer comunicações oficiais e verificar a autenticidade de advogados.

A legislação também prevê ações voltadas à segurança digital e à proteção de dados pessoais de advogados, partes e testemunhas envolvidos em processos eletrônicos.

Outra frente envolve o fortalecimento da cooperação entre diferentes instituições.

Órgãos poderão criar protocolos de verificação

A lei permite que o Poder Executivo firme convênios com o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), a OAB-RJ, a Defensoria Pública e instituições financeiras.

Essas parcerias poderão estabelecer protocolos para verificar a identidade de pessoas envolvidas em comunicações eletrônicas relacionadas a processos.

Também poderão ser adotados mecanismos para alerta e denúncia rápida e procedimentos para bloqueio preventivo de valores, mediante ordem judicial, em casos comprovados de fraude digital.

Parte das medidas foi vetada

O projeto aprovado pela Alerj previa ainda obrigações diretamente para órgãos e entidades da administração estadual. Esse trecho, porém, foi vetado pelo Poder Executivo.

Entre as medidas retiradas estavam a inclusão de alertas sobre o golpe em portais e comunicações oficiais, a adoção de ferramentas como autenticação em duas etapas e controle de acesso, além da criação de canais específicos para denúncias de fraudes relacionadas a serviços públicos e processos administrativos.

Na justificativa, o Governo do Estado argumentou que essas determinações interfeririam na organização e no funcionamento da Administração Pública e envolveriam competências reservadas ao chefe do Poder Executivo.

Deixe um comentário

Você também pode gostar

PF arquiva investigação sobre suposta interferência dos EUA nas eleições brasileiras

Apuração foi aberta após pedido da AGU e terminou sem identificação de indícios mínimos de participação do governo de Donald Trump no processo eleitoral brasileiro.

America Football Club é reconhecido como patrimônio histórico, cultural e imaterial do Rio

Lei aprovada pela Alerj reconhece a importância histórica do clube, fundado em 1904 e ligado à história esportiva da Grande Tijuca.

Rio cria programa de prevenção à yersiniose

Lei cria política estadual voltada à conscientização sobre a doença, mas trecho que previa exames e avaliações periódicas foi vetado pelo Executivo.