Imagem gerada por inteligência artificial
O governo federal decidiu manter a tramitação do projeto de lei que amplia a regulação dos mercados digitais no Brasil, mesmo diante da pressão de parlamentares dos Estados Unidos e das críticas feitas por grandes empresas de tecnologia.
A proposta é considerada pelo Palácio do Planalto uma medida estratégica para fortalecer a chamada soberania digital brasileira e ampliar a capacidade de fiscalização sobre grandes plataformas digitais.
O debate ganhou ainda mais destaque após o aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, em meio às discussões envolvendo tarifas e outras medidas econômicas entre os dois países.
Projeto amplia atuação do Cade sobre plataformas digitais
O Projeto de Lei 4.675/2025 prevê mudanças na atuação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), aumentando a capacidade do órgão de acompanhar e combater possíveis práticas anticoncorrenciais realizadas por grandes empresas de tecnologia.
Entre as mudanças previstas está a criação de uma estrutura especializada dentro do Cade para analisar mercados digitais e identificar empresas consideradas de relevância sistêmica.
Com isso, o órgão poderia estabelecer obrigações relacionadas a temas como:
- transparência;
- concorrência;
- interoperabilidade;
- prevenção de práticas que prejudiquem consumidores ou empresas menores.
Governo trata proposta como questão de soberania digital
Dentro do governo, o projeto é defendido como uma forma de proteger setores considerados estratégicos para o país.
O conceito de soberania digital envolve temas como:
- inteligência artificial;
- armazenamento de dados;
- computação em nuvem;
- infraestrutura tecnológica;
- autonomia no ambiente digital.
A avaliação de integrantes do Executivo é que a discussão não envolve apenas empresas de tecnologia, mas também a capacidade do Brasil de estabelecer suas próprias regras para o funcionamento do mercado digital.
Parlamentares dos Estados Unidos criticam proposta
O projeto passou a ser alvo de críticas de congressistas americanos.
Um grupo de parlamentares republicanos enviou uma carta ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) pedindo medidas contra o Brasil em razão do avanço da proposta.
Os congressistas afirmam que o texto brasileiro possui semelhanças com a legislação europeia conhecida como Digital Markets Act (DMA) e poderia prejudicar empresas americanas que atuam no país.
Segundo eles, a proposta criaria novas barreiras para companhias digitais dos Estados Unidos.
Big techs questionam possíveis impactos da regulamentação
Empresas de tecnologia também demonstraram preocupação com o projeto.
Entidades que representam companhias do setor afirmam que a proposta pode ampliar excessivamente os poderes do Cade e gerar insegurança jurídica.
Entre os pontos questionados estão possíveis intervenções em:
- algoritmos;
- sistemas de recomendação;
- mecanismos de busca;
- circulação de dados;
- funcionamento das plataformas.
As empresas defendem que o Brasil já possui instrumentos legais para lidar com possíveis abusos, como a Lei de Defesa da Concorrência, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o Código de Defesa do Consumidor.
Governo evita acelerar votação em meio ao conflito comercial
Apesar de defender a proposta, o governo optou por não acelerar a votação do projeto neste momento.
A avaliação interna é que uma aprovação rápida poderia aumentar as tensões diplomáticas com os Estados Unidos, especialmente após os recentes conflitos comerciais entre os dois países.
A condução da tramitação depende principalmente da Câmara dos Deputados, incluindo o presidente da Casa e o relator da matéria.
Antes do recesso parlamentar, representantes do governo e do Cade participaram de reuniões para apresentar argumentos e buscar apoio político ao projeto.
Debate sobre tecnologia ganha espaço na política brasileira
A discussão sobre a regulação das big techs mostra como temas digitais passaram a ocupar um espaço cada vez maior no debate político.
A disputa envolve diferentes visões: de um lado, o governo defende maior fiscalização e proteção da concorrência; de outro, empresas de tecnologia alertam para riscos de excesso de regulamentação.
O avanço do projeto deve continuar sendo acompanhado pelo Congresso Nacional, já que a decisão poderá definir novas regras para a atuação das grandes plataformas digitais no Brasil.
Fonte:
Fontes institucionais relacionadas ao tema:
- Câmara dos Deputados – acompanhamento de projetos de lei
- Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)
- Governo Federal