Durante uma eleição, um debate político pode terminar na televisão e, poucos minutos depois, já estar sendo repercutido nas redes sociais.
Trechos de falas, vídeos, comentários e interpretações passam a circular rapidamente por diferentes plataformas, fazendo com que muitas pessoas tenham contato com determinados momentos sem necessariamente assistir ao debate completo.
Essa mudança alterou a maneira como parte dos eleitores acompanha a política e também levantou uma questão importante: até que ponto aquilo que aparece nas redes influencia a percepção sobre candidatos e temas eleitorais?
Jovens estão entre os que mais recorrem ao ambiente digital
A diferença entre gerações é um dos elementos mais evidentes dessa transformação.
Segundo dados do DataSenado citados no levantamento, 72% dos jovens entre 16 e 29 anos utilizam meios digitais como principal fonte de notícias. Entre pessoas com mais de 60 anos, esse percentual é de 21%.
Na prática, isso significa que diferentes gerações podem acompanhar a mesma eleição por caminhos bastante distintos.
Enquanto parte do público ainda utiliza televisão e outros meios tradicionais para se informar, muitos jovens recebem informações políticas diretamente pelo celular, por meio de redes sociais, sites e plataformas digitais.
Informação muitas vezes chega sem ser procurada
Outro aspecto importante é que o eleitor nem sempre precisa procurar uma notícia para entrar em contato com ela.
Publicações compartilhadas por amigos, vídeos recomendados pelas plataformas e conteúdos que aparecem durante a navegação podem colocar temas políticos diante do usuário mesmo quando ele não estava procurando informações sobre eleições.
Esse fenômeno também altera a maneira como debates são acompanhados.
Em vez de assistir a uma transmissão inteira, o eleitor pode consumir apenas os trechos que ganharam maior repercussão nas redes.
O que é a Teoria do Agendamento?
A influência dos meios de comunicação sobre os assuntos discutidos pela sociedade é estudada há décadas.
Na década de 1960, os pesquisadores Donald Shaw e Maxwell McCombs desenvolveram estudos que deram origem à chamada Teoria do Agendamento.
A ideia central é que os meios de comunicação podem influenciar quais assuntos recebem maior destaque e, consequentemente, quais temas passam a ocupar maior espaço na discussão pública.
No ambiente digital, essa dinâmica ganhou novas características.
Além dos veículos de comunicação, plataformas, algoritmos, influenciadores e os próprios usuários participam da circulação e amplificação dos conteúdos.
Redes sociais também podem ampliar a desinformação
A velocidade de circulação de informações traz oportunidades, mas também riscos.
Um vídeo verdadeiro pode ser retirado de contexto. Uma declaração pode ser apresentada de forma incompleta. Uma informação falsa pode ser compartilhada milhares de vezes antes de ser desmentida.
Durante uma eleição, esse problema ganha ainda mais importância porque conteúdos políticos podem influenciar a percepção dos eleitores sobre candidatos e propostas.
Por isso, especialistas recomendam verificar a origem das informações e procurar o contexto completo antes de compartilhar ou formar uma opinião a partir de um conteúdo que viralizou.
Inteligência Artificial adiciona um novo desafio
As eleições de 2026 também acontecem em um cenário de avanço das ferramentas de Inteligência Artificial.
A tecnologia permite produzir e alterar imagens, vídeos e áudios com aparência cada vez mais realista, aumentando a preocupação com conteúdos manipulados.
As regras eleitorais passaram a estabelecer exigências específicas para materiais produzidos ou modificados por IA durante a propaganda eleitoral, incluindo a necessidade de identificação clara desse tipo de conteúdo.
Também existem restrições para a publicação e o impulsionamento de determinados conteúdos produzidos com IA no período próximo à votação.
Como o eleitor pode se informar melhor?
O crescimento das redes sociais não significa que o eleitor precise abandonar essas plataformas.
O principal cuidado é evitar que um único vídeo, publicação ou comentário seja utilizado como única fonte para formar uma opinião sobre um candidato ou assunto.
Comparar informações, procurar a declaração completa, verificar a origem do conteúdo e consultar veículos jornalísticos e fontes oficiais são maneiras de reduzir o risco de ser influenciado por informações falsas ou fora de contexto.
Eleições de 2026 terão disputa também no ambiente digital
As redes sociais já fazem parte da estratégia de comunicação dos candidatos e devem ocupar um espaço importante durante as eleições de 2026.
A disputa eleitoral acontece, portanto, não apenas nos palanques, debates e programas de televisão, mas também em uma sucessão de vídeos, publicações e conversas que chegam diariamente ao celular dos eleitores.
Nesse ambiente, entender como a informação circula pode ser tão importante quanto saber qual informação está sendo apresentada.
Fontes: alerj.rj.gov.br/