Comissão de Direitos Humanos discute estratégias para redução de acidentes de trânsito

Audiência pública expõe aumento alarmante de acidentes e mortes e propõe educação, fiscalização e integração de dados como estratégias para frear a crise.

O Rio de Janeiro enfrenta uma crise silenciosa e mortal. Somente em 2024, a cidade registrou 723 mortes no trânsito, o maior número desde 2008. O dado alarmante foi apresentado durante audiência pública promovida pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Câmara Municipal. Realizado nesta sexta-feira (30), o encontro marcou o encerramento da campanha Maio Amarelo e reuniu representantes do poder público, sociedade civil e especialistas em segurança viária.

Cenário crítico exige mais do que campanhas

O vereador Marcos Dias (Podemos), presidente da Comissão, abriu a audiência com uma cobrança direta: “A realidade do Rio exige mais do que campanhas, exige ação imediata”. De acordo com ele, os acidentes cresceram 20% em relação a 2023, com mais de 12 mil registros até o momento. As vítimas mais frequentes são motociclistas, pedestres e entregadores.

A representante da Secretaria Municipal de Saúde, Gislane Mateus, destacou que o plano de segurança viária visa reduzir em 50% as mortes até 2030. No entanto, os números do primeiro trimestre de 2025 já indicam aumento de 43% nos óbitos em relação ao ano anterior.

Motociclistas lideram as estatísticas de sinistros

A prefeitura revelou que 69% dos atendimentos de emergência em 2023 envolveram motocicletas. Esse dado levou o vereador Marcos Dias a questionar a ausência de ações focadas na capacitação de entregadores por aplicativo.

presidente da CET-Rio, Luiz Eduardo Oliveira da Silva, afirmou que a prefeitura firmou um acordo com as plataformas. Segundo ele, a parceria permitirá monitorar os entregadores e compreender como eles atuam no trânsito da cidade.

Falta de integração de dados compromete políticas públicas

O major bombeiro Flávio Contreiras, da Defesa Civil, alertou que os dados da prefeitura não conversam com os da corporação. Isso dificulta a criação de políticas eficientes. Em 2023, o estado registrou 184 mortes mensais no trânsito. Das cinco vias com mais acidentes, quatro ficam na capital: Avenida Brasil, Avenida das Américas, Linha Vermelha e Avenida Lúcio Costa.

Educação no trânsito como pilar da mudança

A importância da educação para o trânsito dominou boa parte da audiência. O representante do Observatório Nacional de Segurança Viária, Maicon de Paula, destacou o eixo “Observatório Educa” como ferramenta de apoio a municípios.

Já o vereador Flávio Pato (PSD) propôs o projeto “Rio por um Trânsito Mais Seguro”, que cria uma plataforma de denúncias cidadãs com foco educativo. O gerente do SAMU-Rio, Luiz Thiengo, lembrou que a Lei Seca, de 2008, reduziu drasticamente os incidentes, provando que medidas normativas funcionam.

Vítimas expõem dor e pedem ações contínuas

Cidadãos também usaram a tribuna para relatar casos dramáticos. Marcelo Rosa, servidor público, contou sobre o acidente da filha com um motoqueiro de app. O entregador morreu e a jovem ficou com sequelas permanentes. “O Maio Amarelo deveria durar o ano inteiro”, desabafou.

Vivi Zampieri, da Comissão de Segurança no Ciclismo, alertou sobre o aumento de 702% em acidentes com ciclomotores. Ela criticou a omissão da prefeitura quanto à inclusão desses veículos nos relatórios oficiais.

Fontes: camara.rio

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