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O Senado dorme enquanto as instituições afundam

Senador Portinho critica omissões no Senado e defende respeito à democracia e aos direitos.

Por: Rodrigo Bethlem

Esta semana, entrevistei, na TV Correio da Manhã, o senador Portinho, hoje, um dos mais lúcidos senadores que consegue ter uma visão crítica da instituição que faz parte.

Se existem pessoas na porta dos quartéis pedindo, literalmente, socorro, é porque essas pessoas já bateram na porta do Congresso, do judiciário e, porque não dizer, do Palácio do Planalto, também.

Portinho, na entrevista, não economizou em críticas ao Senado e a omissão, principalmente, do seu presidente, que tem sido extremamente danosa ao Brasil e à democracia. Difícil arrumar outro adjetivo mais elegante para o senador Rodrigo Pacheco do que “banana”.

Portinho se mostrou confiante na articulação para que o Senado consiga encontrar um nome alternativo para dar altivez e respeito novamente ao Congresso e, consequentemente, equilibrar os poderes, servindo ao sistema de freios e contrapesos.

Não é possível vermos 10 parlamentares censurados previamente, coisa que não aconteceu no regime militar, e o presidente do Congresso não se manifestar.

Lembro que em 2016 quando, monocraticamente, um ministro do STF mandou afastar o senador Renan Calheiros da presidência do Senado, este rasgou a decisão dizendo que um único ministro não poderia interferir desta forma em outro poder. Não tenho admiração pelo senador citado, mas respeito tal atitude.

Lembro que quando se censura previamente um parlamentar das suas redes sociais, quem sai prejudicado é o eleitor, que não tem como acompanhar nem cobrar o seu representante, direito sagrado em qualquer democracia.

O silêncio ensurdecedor de boa parte da velha imprensa me espanta. Quem acha que está a salvo de tamanho absurdo se engana profundamente. Aliás, devemos defender, principalmente, quem não concordamos de ter o direito à livre expressão.

Achar legal porque são “golpistas” sendo censurados é porque não conhece a história. Aliás, em uma democracia autêntica, as pessoas têm direito de, inclusive, duvidar do regime que vivem. Por acaso alguém conhece um inglês que tenha sido preso por discordar da monarquia?

A fala do senador Portinho me deixou esperançoso de que podemos ter, no próximo Senado, algum protagonista para que o país volte à normalidade.

Ex-deputado e consultor político

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