A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou uma lei que cria o programa “Sou jovem, sou empreendedor”, voltado ao incentivo de pequenos negócios criados por pessoas de 16 a 29 anos. A iniciativa busca ampliar as oportunidades de empreendedorismo e oferecer ferramentas para jovens que desejam iniciar uma atividade por conta própria.
A proposta atende estudantes regularmente matriculados na rede pública de ensino e estudantes bolsistas de cursos superiores ou técnicos. A medida considera um cenário em que jovens enfrentam dificuldades para formalizar e administrar seus primeiros negócios.
Segundo dados do Sebrae Rio baseados na Pnad Contínua do IBGE, a Geração Z representa 6% dos empreendedores do estado. Entre esses jovens, 69% atuam no setor de serviços e 17% no comércio. Construção, indústria e agropecuária aparecem na sequência.
Jovens enfrentam dificuldades para formalizar negócios
O levantamento citado aponta que 84% dos empreendedores da Geração Z não possuem CNPJ. O grupo também apresenta rendimento médio pouco superior a R$ 2 mil e registra um dos menores percentuais de empregadores.
A falta de conhecimento sobre gestão aparece como um dos obstáculos para quem decide empreender. Além de dominar a atividade principal, os empresários precisam lidar com questões como precificação, finanças, marketing, estoque e relacionamento com clientes.
A experiência de jovens empreendedores mostra justamente esse desafio.
Experiência de empreendedores mostra os obstáculos
A confeiteira Thaís Duarte, de 27 anos, começou a vender brownies durante a pandemia, depois de perder o estágio. O negócio surgiu inicialmente como uma forma de conseguir dinheiro para ajudar no tratamento de sua cachorra.
Ao longo dos anos, ela identificou a organização financeira como uma das maiores dificuldades para administrar a empresa.
Para Thaís, conhecimentos sobre precificação, atendimento, marketing e gestão poderiam ter acelerado o desenvolvimento do negócio.
A empresária Tais Bordin, de 39 anos, também passou pela dificuldade de conciliar diferentes funções dentro da própria empresa. Depois de transformar a confeitaria, inicialmente tratada como hobby, em negócio profissional, precisou aprender a administrar áreas como financeiro, estoque e redes sociais.
Já o empresário e diretor criativo Misael Mululo relata que abriu seu primeiro estúdio aos 23 anos. A empresa acabou encerrando as atividades por falta de estrutura de gestão.
Segundo ele, a experiência mostrou que conhecimento técnico ou talento não são suficientes para manter uma empresa. Gestão financeira, vendas, precificação, processos e relacionamento com clientes também são necessários para a sustentabilidade do negócio.
Rio reúne mais de 2 milhões de pequenos negócios
O empreendedorismo não se concentra apenas entre os mais jovens. Dados do Sebrae citados no material mostram que o Rio de Janeiro reúne mais de 2 milhões de pequenos negócios, equivalentes a 89,2% das empresas ativas no estado.
Os microempreendedores representam 55,3% desse universo. Microempresas correspondem a 27,6%, enquanto empresas de pequeno porte representam 6,3%.
O cenário mostra a importância dos pequenos negócios para a economia fluminense e também evidencia a necessidade de capacitação para quem decide trabalhar por conta própria.
Projeto prevê apoio a empreendedores de comunidades
Além da iniciativa voltada aos jovens, a Alerj analisa o Projeto de Lei 6.315/25, que cria o programa “Comunidade que Empreende e Prospera”.
A proposta ainda está em discussão no plenário. Caso seja aprovada, seguirá para análise do governador.
O programa pretende oferecer capacitação gratuita, orientação técnica e linhas de crédito com condições diferenciadas para empreendedores que atuam ou pretendem atuar em comunidades.
A iniciativa também poderá atender jovens e adultos interessados em abrir negócios ou formalizar atividades que atualmente funcionam na informalidade. Moradores de áreas classificadas como de vulnerabilidade social também poderão ser contemplados.
Capacitação inclui gestão, finanças e marketing
Entre as ações previstas no projeto estão cursos sobre gestão empresarial, finanças pessoais, planejamento estratégico, controle orçamentário e formalização como Microempreendedor Individual (MEI).
O programa também prevê conteúdos sobre marketing digital, vendas, inovação e desenvolvimento sustentável.
As capacitações poderão ocorrer presencialmente ou pela internet. O texto ainda prevê consultoria individualizada, desde a avaliação da ideia ou do negócio até a elaboração de planos e acompanhamento da empresa.
Parcerias com empresas, incubadoras, centros de empreendedorismo e profissionais voluntários também poderão ser utilizadas para ampliar o atendimento.
Empreendedorismo como alternativa de geração de renda
A experiência de empreendedores ouvidos no material mostra que transformar uma habilidade em negócio exige mais do que disposição para trabalhar.
Conhecimentos de gestão, acesso a orientação e possibilidade de crédito podem influenciar a capacidade de um empreendimento se formalizar e crescer.
No caso dos jovens e moradores de comunidades, as iniciativas discutidas na Alerj buscam justamente reduzir essas barreiras e criar mecanismos de apoio para quem pretende transformar uma ideia em fonte de renda.