Projeto de lei quer proibir áreas VIPs em eventos públicos no Rio de Janeiro

Projeto de lei quer proibir espaços exclusivos em eventos gratuitos realizados em praias, praças e outros locais públicos com apoio financeiro do poder público.

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) analisa um projeto de lei que pode proibir a instalação de áreas VIPs em eventos públicos gratuitos realizados em espaços como praias, praças e ruas. O autor da proposta é o deputado estadual Rodrigo Amorim (União Brasil), que protocolou o texto na semana passada.

A medida visa restringir o uso de recursos públicos, inclusive por meio de renúncia fiscal, para financiar eventos com áreas restritas a convidados. A proposta ganhou destaque após o show da cantora Lady Gaga em Copacabana, que contou com R$ 30 milhões em patrocínio do governo estadual e da prefeitura do Rio.

Áreas VIPs geraram críticas e sensação de exclusão

Durante o evento, um espaço VIP foi instalado a quase 200 metros do palco, com acesso exclusivo para convidados das marcas patrocinadoras. Fãs sorteados por empresas como Corona, Santander e Deezer também puderam entrar. No entanto, o público em geral ficou limitado às áreas mais distantes da areia.

Segundo levantamento do gabinete de Rodrigo Amorim, 70% das menções ao termo “camarote VIP” nas redes sociais entre os dias 3 e 4 de maio foram negativas. Os principais relatos citavam dificuldades para assistir ao show e denunciavam a formação de uma “muralha” que impedia a visibilidade lateral do palco.

“Usar um bem público para montar espaços exclusivos é inaceitável. É um anel de exclusão montado com recursos que deveriam servir ao povo”, criticou Amorim.

Deputado relembra casos semelhantes e cobra regras mais claras

O parlamentar também mencionou o show de Madonna em 2024, que contou com estrutura semelhante. Segundo ele, convidados foram vistos em áreas restritas consumindo comidas e bebidas em espaço montado na areia da praia, em ambiente privilegiado.

“Fazer alguém chegar com horas de antecedência para ficar a 200 metros do palco é inimaginável. Ainda mais quando o evento é pago com dinheiro público”, acrescentou Amorim.

Texto define penalidades para quem descumprir a norma

De acordo com o projeto, eventos gratuitos com financiamento público — direto ou indireto — não poderão ter áreas VIPs, com exceção das zonas técnicas essenciais à operação. Caso haja descumprimento, a infração poderá ser considerada ato de improbidade administrativa, sujeito a sanções legais.

O texto ainda passará por seis comissões da Alerj antes de ser votado em plenário. Se aprovado, passará a valer para todos os eventos em espaços públicos no estado do Rio de Janeiro.

Fontes: rj.gov.br

Deixe um comentário

Você também pode gostar

Polícia procura ex-vereadora após Justiça determinar cumprimento de pena

Agentes fizeram buscas em endereços ligados a Verônica Costa, mas não a encontraram. Em um apartamento no Recreio, foram localizados dois cachorros.

Câmara do Rio cria novas exigências para entregas em grandes estabelecimentos

Projeto aprovado em definitivo prevê espaços de apoio, organização do fluxo de entregadores e multa em caso de descumprimento.

Força Municipal registra redução de roubos e furtos em diferentes regiões do Rio

Balanço dos seis primeiros meses de atuação aponta quedas de até 73,1% nos registros de crimes nos perímetros monitorados pela Divisão de Elite da Guarda Municipal.